Confira a capa da revista abaixo:
Tudo ao mesmo tempo agora... uma coisa de cada vez!
Para um pequeno público, o cantor/compositor Lourival Tavares realizou ontem à noite uma apresentação no Teatro Ferreira Gullar, depois de três anos sem cantar nesta cidade, onde ele começou a despontar no meio musical no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980, e onde residem seus pais e avós.
Estive lá e verifiquei que as poucas dezenas de presentes eram pessoas ligadas à cultura e à comunicação, em sua maioria amigos do artista. Daí me vieram alguns questionamentos: A cidade menospreza seus artistas? O gênero MPB tem pouco público na cidade? A obra de Lourival é desconhecida aqui? A data não era conveniente?
Bem, são tantas as variáveis para avaliação que cabe fazer algumas digressões sobre essa temática.
É inegável que de Imperatriz despontaram, nas últimas três décadas – que acompanhei, pois em janeiro completo quatro décadas nesta cidade –, diversos nomes que repercutiram no cenário da música regional, estadual e mesmo nacional. Temos aqui, insistindo e resistindo na difícil trincheira tocantina, muitos nomes que não fariam feio em nenhum palco nacional. Vozes como as de Neném Bragança, Lena Garcia (para falar só dos que aqui residem), e alguns outros que se destacaram posteriormente, nada devem à maioria dos grandes artistas internacionais. A diferença é que os outros têm a mídia e os degraus dos grandes palcos em seu favor.
Lourival Tavares – assim como Neném Bragança – tem timbre vocal que se iguala ao de um Alceu Valença, ao de um Zé Ramalho, ao de um Xangai… mesmo que menos lapidada. Lena não fica atrás das divas da MPB, e até supera muitas delas. E temos bons compositores: Zeca Tocantins, Neném Bragança, Henrique Guimarães… e tantos mais. E se incluirmos os que migraram, incluiremos artistas como Carlinhos Veloz, Erasmo Dibell, Chiquinho França (instrumental), Wilson Zara e outros mais.
Por que, então, eles não conseguem público em sua própria cidade?

Algumas pequenas coisinhas precisam receber atenção. Ontem à noite mais um caso de que a Setran está aérea e/ou que as secretarias não estão falando a mesma língua. Na Praça da Cultura, na Rua Coronel Manoel Bandeira, foi instalado um palco para o encerramento do “Natal da Gente”, mas não havia nenhuma sinalização (cones, placas) e nem agente de trânsito para informar que a rua estava interditada. Além de alguns carros que passaram batidos e tiveram que retornar, motoristas de ônibus ficaram sem entender qual melhor rota para pegar. Mototaxistas passavam pela lateral do palco, às vezes colando em risco quem circulava desatentamente pela rua interditada.
Sucesso total a confraternização na Banca do Chico. Deu mais gente que se imaginava e foi preciso os coordenadores Feinho, Ailan e Juarez colocar ordem na casa. Domingo o comércio estava aberto no período da manhã, logo a muvuca foi grande. A poeira foi baixar de tarde.
A festa foi recheada de muitas, muitas, muitas cervejas, vinhos para quem não curte e não pode beliscar uma “loura” e uma quantidade sem precedente de carnes. No final, somente alguns poucos guerreiros estavam de pé e ainda rumaram para mais uma rodada.
Este ano a confraternização foi diferente, com apresentação do artista Neguinho da Inês, conhecido também pelo nome de “Cão Chupando Manga”. Élson Araujo escreveu em seu blog uma excelente descrição do artista: “uma mistura exótica de Sidney Magal, Michael Jackson, Elvis Presley, Doutor Sarkis e Lacraia”. O camarada matou uma grana boa, a galera coçou o bolso após Polegada fazer as honras do chapéu e Neguinho da Inês teve o merecido reconhecimento do público. Sem dúvidas, foi de matar de rir.
Outro artista também deu uma palha, Pedro Bispo, no finalzinho da tarde. Professor Etevaldo improvisou com uma bacia algo como tambor e Dr. Edivan com 2 facas fez um “triangulo”. A sanfona comeu solta nas melhores de Luís Gonzaga.
Como acontece em todo ano, a rotatividade dos freqüentadores foi perceptível, quem está com mandato apareceu, quem não subiu nenhuma rampa, esteve ausente. Porém isso não tirou as mais “variadas divergências” partidárias, políticas e futebolísticas da roda de discussão, renovando às vezes as pautas, mas nunca deixando de revirar uma faísca ou outra de assuntos já batidos. E nesta confluência atípica, todos estavam ali em harmonia. Novos e veteranos.
Parabéns ao Chico “Gentileza” e aos amigos da Banca pela ótima e divertida festa.






Fotos enviadas pelo mano Sidney Rodrigues do site Kamaleao.