O mês de setembro começou bem para Imperatriz. Pelo menos no que diz respeito à qualidade e conteúdo musical. O show do cantor e compositor Zé Ramalho coroa uma cidade que tem urgência de ser grande e anseio de reviver os gloriosos anos de outrora, onde aterrissavam por aqui grandes artistas e bandas do melhor que há na música popular brasileira.21 anos depois, Zé Ramalho e banda Z voltam à Imperatriz. O local, Centro de Convenções, não é o mais apropriado, mas hoje é o que existe de área coberta. E aqui, já revela-se mais uma necessidade: a falta de casas de shows com a estrutura apropriada de acústica, camarotes, arquibancadas etc. Faz falta o saudoso ginásio do Clube Juçara, palco de muitas atrações que agora incendeia a memória.
Mas, para termos um show ímpar como de Zé, certas intempéries devem ser relevadas, pois quero acreditar que portas e janelas se abrem para outros artistas e bandas. Não custa lembrar como certos setores questionaram a presença do Paralamas do Sucesso na festa de aniversário da cidade e o saldo foi super positivo. Ontem, o público foi também a estrela da noite: pagou bem e consumiu alto. Porém, se fez presente, deixando claro, há grosso modo, que existe poder econômico ativo numa parcela boa de imperatrizenses.
Obviamente, Zé Ramalho tem uma história de sucesso que por si só é propagada. Todavia, são anos e anos de carreira e sapiência. Para o show acontecer aqui, foi necessário um trabalho conjunto dos produtores locais com os de Araguaína e Palmas, numa logística que fosse viável e aceita pelo artista. E se o caminho das pedras nos ensina que a parceria é a mola propulsora do sucesso, por que deixamos passar por aqui o Jota Quest lá mesmo em Araguaína e o Frejat logo ali no Riachão? Por quê?
É duro constatar que é a própria mídia local que cria seus monstros, alimenta suposições, ausentando-se de tocar outros estilos musicais e de promover cultura como de fato deve ser propagada. Na lógica do mercado, você deve primeiro fomentá-lo. Se as TVs e as rádios dia e noite deslizam na mesma plástica [parabéns ao produtor Zé Filho pela iniciativa e que continue assim], como diabos é possível vender um show fora daquilo que não é tocado? Impossível, praticamente.
E nesse vazio que há entre a propagação de música popular brasileira de nível e a insistência de repetir a idéia tola que não há público “para isso e para aquilo”, certas peculiaridades surgem no show como de Zé Ramalho, como o questionamento dos valores dos ingressos. E a justificativa recai novamente no fator mídia, que não atuam nessa linha de música fazendo valer um circuito de shows. Conheço uma Agência de shows que detém praticamente 30 bons artistas brasileiros, mas não conseguem emplacar na agenda deles pelo simples fato de Imperatriz estar de fora do circuito musical de São Luís, Marabá, Palmas e a bendita Araguaína.
Esse texto não é uma resenha do show de Zé Ramalho e não tem nenhuma intenção de desprestigiar outros estilos, mas não poderia deixar de registrar mais uma vez que não devemos apostar na autodepreciação do público de Imperatriz e muito menos ignorar as massas na tangente que por ser menos informados e às margens do acesso à cultura não podem saborear ao vivo e a cores “Chão de Giz”, “Admirável Gado Novo”, “Avohai”, por exemplo.
A idéia é utópica, mas faz bem para alma e para os ouvidos.








