Os ânimos esquentam cada vez mais no já dividido PDT maranhense. A celeuma começou logo após a morte do ex-governador Jackson Lago, onde os militantes de primeira linha não pouparam tempo para assumir o leme e balancear a proa de comando da sigla no estado.
Supostamente seria até natural o PDT seguir sob a batuta da família Lago, afinal essa seria uma vontade inata do próprio Jackson e que poderia na prática (ainda que não mensurável) ter mais apelo político-popular.
Porém, na política o vulto do oportunismo e a dinâmica das divergências não consideram genes e nem memória. Dessa forma, dirigentes, partidários e simpatizantes de Jackson declaram abertamente repulsa a forma que fora conduzido o processo que levou o ex-deputado Julião Amin a presidência do PDT no Maranhão. Amim assumiu no lugar do médico Igor Lago, filho do ex-governador, por determinação da direção nacional do partido.
O imbróglio não se resume apenas ao fato de Amin presidir essa nova Comissão Provisória, é um misto de ciúmes que abrange os pormenores da política regional, afinal a nova direção é composta também por nomes que recebia a sombra e alento político de Jackson, como Jean Carlo, Weverton Rocha, Deoclides Macedo, Carlinhos Amorim entre outros.
À família do ex-governador, não restou sequer voz ativa no partido do qual tanto ajudou nas esferas da máquina do estado e por conseqüência da precipitação utópica de conduzir uma política de oposição, pagou com a própria vida o preço de sucumbir à histeria de seus partidários por cargos e projetos individuais.
A ex-primeira-dama do estado, Clay Lago, então esposa de Jackson, acabou criando um movimento de oposição à nova presidência da sigla. De quebra também buscou amparo judicial em proibir o uso de escritos, transmissão da palavra ou utilização da imagem de Jackson Lago por parte do PDT. Desta forma, Clay limita o discurso de quem queira por ventura lançar mão da memória do povo ao nome do ex-governador.
Sem legitimidade familiar ou de fidelidade efetiva, não é de estranhar que no jogo político e na projeção para tal, vale tudo. Segurar na alça de um caixão é o de menos. É aquela velha máxima: rei morto, rei posto. E ao povo, as migalhas do pão e a tristeza desse circo.