O tema complexo a ser debatido sobre o Código Florestal movimentou a audiência pública na Câmara Municipal. Na maioria das vezes estas audiências funcionam mais como seguir um determinado figurino a fim de cumprir tabela junto à sociedade. Debater meio-ambiente, política de reflorestamento, distribuição de terra, preservação e a legislação que envolve tais gargalos e tornar público, faz parte do processo nobre da democracia, porém não vai contrariar os interesses daqueles que financiam os bastidores políticos.
Segundo informa o
blog do jornalista Josué Moura, “a composição da mesa e as inscrições para os representantes dos dois lados não foi nada democrático. Quase 8 defensores do agronegócio e apenas dois pelo lado dos ambientalistas (...)”. Ele ainda afirma que a discussão só ficou mais equilibrada após “ser liberado o microfone para a participação das galerias, quando cerca de 30 pessoas se pronunciaram.”. Já Wilson Leite do Psol aponta em seu
blog que a “audiência não era pública, era dos ruralistas”. Mais adiante em seu texto diz “contrariando quem pensava que os militantes ambientais se acovardariam - devido à desproporção da quantidade – se enganou (...)”.
O cenário é desenhado desta forma:
- de um lado o grupo que se articula e tem poder de fogo para tal.
- de outro, a pequena e necessária resistência do contraponto.
No desenrolar da política brasileira e dos movimentos sociais os caminhos se cruzaram, entrelaçando ascensão ao poder com a vitalícia governança, cooptando líderes e articuladores com o beneficio das verbas públicas aos sem número de entidades de classes e sociais espalhadas pelo país. Atrás das cortinas estão todos eles afagados pelo abraço gentil do interesse particular.