Diferente da cobertura política, que se faz informar em primeira mão as conversas de bastidores justamente para frustrar os planos dos nobres políticos, no que diz respeito à área policial a coisa toda é diferente, pois envolve a fragilidade das vítimas e qualquer informação fora do tempo atrapalha as investigações.
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Ricardo Feitosa, Bruno Francisco e o mentor Antonio Diaguí
(Foto: Robervam 'Sombra') |
Da mesma forma que a sociedade de uma forma em geral acompanhava e por natural ansiedade despertava saber informações do caso de sequestro do garoto Pedro Paulo, era importante manter a cautela, pois os criminosos também monitoravam qualquer passo, inclusive na mídia e, agora nas redes sociais. Os sequestradores mantiveram contato com a família de Pedro desde o primeiro momento.
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Ricardo Feitosa, Bruno Francisco e o mentor Antonio Diaguí
(Foto: Robervam 'Sombra') |
Ainda ontem à tarde, em contato com um experiente repórter que acompanhava o caso em
pari passu, o blog já sabia que Pedro Paulo iria ser, em tese, entregue próximo da cidade de Araguaína naquela noite. Na tarde de ontem, a Regional de Segurança em Imperatriz estava movimentada sobre isso. Vários jornalistas e blogueiros à noite já estavam cientes do caso, antes mesmo da informação oficial chegar à grande mídia. Nesse momento, a prudência foi fundamental. Bolo e refrigerantes foi servido na porta da Regional, em comemoração ao sucesso da operação.
Antes de tudo isso, já se sabia também que o pagamento do resgate fora feito dias antes. O envolvimento de um ex-funcionário do senhor Jurandir, já estava mapeado, tal qual o cativeiro que fora mantido Pedro Paulo. Todas essas informações e demais foram mantidas em sigilo. É importante mais uma vez destacar: da mesma forma que a comunidade acompanha os fatos, os criminosos também monitoram o movimento da polícia... idem para a atuação da imprensa. Os boatos, as informações desencontradas e demais alardes, apenas atrapalhavam e contribuíam para aumentar o desespero da família, afinal, a vida de um inocente estava em jogo.
Hoje de manhã, após a chegada de Pedro Paulo no aeroporto de Imperatriz, alguns profissionais da imprensa e outros mais próximos já sabiam os dois primeiros nomes do principal suspeito: Antonio Diaguí, o ex-funcionário. Já se sabia inclusive o ramo profissional e que o mesmo atuava no bairro Vila Nova, uma panificadora bastante conhecida daquele setor. O proprietário do imóvel ao saber do envolvimento do locatário, já entrou em contato com advogados para tira-lo do prédio. A panificadora existe a menos de um ano, período que Antonio deixou de prestar serviço para Jurandir.
Antonio Diaguí tinha por hábito em sua atividade comercial portar arma de fogo e bracejava que “polícia ali não tinha vez”. A “bandeira” de Antonio fez a casa cair. O envolvimento dele com outras atividades do submundo do crime apenas norteou o trabalho da polícia. Era esse envolvimento (segundo fontes, com o tráfico de drogas) que ligou Antonio ao principal gerente da ação criminosa, um foragido do Estado do Paraná que possui em mais de 10 mandados de prisão em seu nome. Antonio tem também parentescos no Estado do Pará, mais precisamente em Marabá, cidade da qual foram presos Ricardo Feitosa Santos (que invadiu a casa da família) e Bruno Francisco (que deu fuga aos criminosos após pagamento do resgate). Foi aqui mesmo em Imperatriz que Antonio caiu e com ele a polícia recuperou 100 mil reais dos 500 pagos pelo resgate. O restante do dinheiro imagina-se estar de pose do paranaense envolvido no sequestro.
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Secretário de Segurança Pública do Maranhão, Aluísio Mendes
(Foto: Robervam 'Sombra') |
Na Regional de Segurança em Imperatriz, o secretário de Segurança do Estado, Aluísio Mendes, confirmou a prisão de um casal no Estado do Tocantins. A mulher cuidava da criança, enquanto o homem “zelava” pelo cativeiro. Segundo Aluísio, os nomes desses envolvidos ainda não foram identificados, pois ambos estavam portando diversas carteiras de identidades. Especula-se que o casal seja da cota do paranaense foragido, assim como também dos outros três que também se encontram na mesma situação, mas que a polícia já expediu mandado de prisão.
A coletiva para imprensa e apresentação dos sequestradores estava marcada para as 16 horas dessa quarta-feira. Atrasou devido o translado dos outros dois envolvidos vindos de Marabá/PA. Antonio Diaguí já estava na Regional desde cedo. Diante o atraso, o delegado Assis Ramos mantinha uma hora ou outra amistosa conversa com a imprensa, blogueiros e demais profissionais da mídia. Ramos que vêm desenvolvendo um trabalho ímpar na cidade, além de agradecer, pediu até desculpas pela forma que teve que agir para segurar as informações, explicando que era vital para preservar a vida de Pedro Paulo. Questionado por um dos membros da secretaria estadual de segurança pública como a imprensa local “não dava pressão” sobre o caso e que em São Luís “ela [a imprensa] ia cair matando”, o delegado respondeu a seu interlocutor que aqui “há amigos e muitas vezes eles ajudam o nosso trabalho”.
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Assis Ramos, delegado regional de Imperatriz
(Foto: Robervam 'Sombra') |
O sequestro de Pedro Paulo comoveu a cidade de Imperatriz. O ato covarde não justifica a ação criminosa, pois é uma idiotice apostar nessa prática (assim como as demais), onde no Brasil, 90% dos casos de sequestros são solucionados. Empreender por esse caminho, assim como todo crime, é investir na própria queda. O certo é que o crime de extorsão mediante sequestro no Brasil ficou banalizado e ganhou outras regiões distantes do sul e sudeste, como as cidades emergentes do interior do nordeste. Imperatriz se tornou de certa forma alvo, mesmo que a maioria dos envolvidos seja daqui, o grupo criminoso também conta com praticantes oriundos dessas regiões que colam pesados e possui aparato intelectual e bélico para responder a tal iniciativa criminosa.
A polícia do Estado do Maranhão, do Tocantins e do Pará, muitas vezes tão desacreditada, tinha que agir por uma questão de honra. No que diz respeito a nós, maranhenses, a resposta do aparelho público de segurança tinha que vir a galope. A sociedade que paga alto, cobrava uma resposta. Uma pena que nem sempre, na ordem de comoção pública e exposição midiática, outros casos padecem de solução. De qualquer forma, a título de exemplo, Aluísio Mendes, coronel Edeílson Carvalho e o delegado Assis Ramos e demais membros da segurança pública, nos mostram cada um a sua maneira, que é possível mudar o cenário. A fatura do Estado é grande, mas parece possuir ares diferentes de outrora.
Os amigos
Pinheiro,
Carloto Junior,
Jhivago Sales,
Jesnem e a equipe do portal
Do Minuto, fizeram uma brilhante cobertura jornalística sobre a prisão dos sequestradores. Não deixem de ler.