Parabéns Imperoza, das ruas que tanto cambaleei. Na subida do Frei, entre tantos Botecos posterguei, seja no Beco do Lambau ou nas praças com vinho velho e barato. Bolacha Recreio, copo descartável e um coreto que abriga os sujos como nós. Um coquetel de TNT que explode nas escadarias da Academia a lapide da chuva que assusta as letras vomitadas e extirpou a enfadonha imortalidade regional. Não há como não dizer do banho frio na fonte da Cultura, foi muitos Ambrósios para empreender o mergulho. E foi ali, entre a confusão da 15 de Novembro e Dom Pedro II, muitos percursos em blocos na Praça União, embaralhado nas apostas do carteado, norteado por caroços de milhos pelo canto do Curió e o sabor primoroso do velho Peixe Pôdi. Um templo do copo sujo, assim como o clássico Miguel Miséria e lá de fronte, o mestre João, que dos sapatos tortos de subir e descer o curtume, preferindo o pular da política dos politiqueiros no deboche que nos resguarda. Seja domingo ou segundas, na Banca do Gentileza irão falar, contemporâneos ou não, Dona Carmides que lhe grito ao peito do menino entregador, arquiva os fatos dos dissabores de Tereza ou de Fátima, ainda que fique o registro do livro da velha biblioteca, uma casa sem artes que habitou os já ocupantes que migravam pela imagem.
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Praça de Fátima, ainda sem a banca do Chico "Gentileza". Fotografia aérea
efetuada pelo missionário católico italiano Albé Ambrogio em 1968
(Acervo Nando Cunha) |
Estas são poucas memórias boêmias, daquele que desceu do Mercado Bom Jesus sob os gritos da morte de Renato, herdei um sem número de páginas opacas como um simples Zé, não das Bananas, mas daquela casa que tudo tem-tem, a oração do menino Raul não nos salvou. Ao menos temos o mestre Cabral, que pelo muro espreitamos o silêncio noturno, enquanto as máquinas imprimem O Progresso, espiamos um filme distorcido e cortado no Marabá, as mesmas cenas do Canal 100 que não repetiram no Fides. Porém, outras tantas simularam o amor devasso e exótico, ou na Márcia, Nega, Isabel ou Inês, tudo ao seu tempo, Velha ou Nova, não importa a farra ou os delírios, assim como o último suspiro da projeção e a migração de pular no cacau, nos salva a simulação de toda a sorte 24 horas no Bahia, entre o gis que enumera as constantes sinucas de bico, algo tão quente como uma “Ferro de Gomar”.
Foi lá na Nagé ou quem sabe na Casablanca que encontramos o repouso, não tão ativo como no Projeto Rodon que ostentava aos peladeiros toda a sorte do lugar nenhum, pois se a barreira enjoava, era abaixo do Caldo Ala Bamba que consagrava o embate bem antes da Beira ser Rio, três campos que a vaga do tempo dividimos com Macedão e o Coco não tão Verde, pois a bem da verdade era Claudeci que fazia a diferença, não antes do verdadeiro Mustang ser a válvula de escape do senhor Amaral Raposo, onde o velho Gil ainda formatava a idéia de constituir o C.U., ou seja, o Cantinho Universitário, já tão abobalhado como o antigo bobódromo, mas pelo trabalho de Rodrigão ficam as saudades do velho Gelo tão bom.
Essa é a Imperatriz que bebemoramos como num botiquim à portuguesa, e nos curamos na panela do Baixinho ou no cachorro-urubu do Chico em meio à desordem organizada de Vicent Fritz, Bernardo e Getúlio, não necessariamente nessa ordem. E se a carne não é tão seca na rodoviária dos Guerras, molhamos o corpo e alma na canoa rasa que cruza Tocantins, pois o caldo quente do verão lá na Brasil ou na Broadway nos diz que o vôo não volta mais.
Parabéns Imperoza, das ruas que tanto cambaleei... e quem segue a balsa?