Estou em débito com a divulgação da notícia abaixo, apesar da mesma ter circulado em vários blogs e jornais na semana passada, o que já pode ser de conhecimento dos leitores. Todavia, sinto-me motivado a publicar aqui neste pequeno espaço:
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O Ministério da Cultura, por meio de editais, tem democratizado o acesso a recursos públicos por todo o país contemplando diversas linguagens artísticas e manifestações culturais, além de construir várias frentes de discussão para elaboração e consolidação de políticas públicas culturais. Uma dessas ações ligadas ao Programa Mais Cultura, junto ao qual estamos na expectativa de assinar convênio, é o edital de Microprojetos para Amazônia Legal, que visa fortalecer e apoiar a diversidade cultural da região amazônica e tem como beneficiários ou proponentes jovens entre 17 e 29 anos que residam na região.
Sabe-se que uma das dificuldades dos agentes culturais é exatamente a elaboração de projetos. Por isso, como trabalho próprio à própria natureza da Fundação, temos nos disponibilizado para contribuir junto a grupos e pessoas da cidade que têm propostas reconhecidamente sérias. Fizemos um chamamento, discutimos e elaboramos coletivamente alguns projetos ao longo de um mês de trabalho em atendimento a pessoas e grupos que atuam como agentes culturais na cidade. Esse trabalho rendeu um resultado positivo, não somente para os grupos/pessoas e para a Fundação Cultural; mas, especialmente, para a cidade e a região, que receberão oficinas de teatro, de dança, artesanato, exposições de artes plásticas e outras ações decorrentes dos projetos e suas especificidades.
Uma gestão comprometida com a cultura é aquela que, além e ao lado de cuidar da produção de eventos, pensa também na cadeia produtiva da cultura de modo amplo e proporciona processos de formação cultural, de circulação de produtos de seus agentes. Em suma, formula, apóia e implementa políticas públicas que perdurem e sobrevivam à alternância democrática de governo.
A Fundação Cultural de Imperatriz, por meio de nossa coordenação (Expressões Cênicas) e da assessoria de planejamento, na pessoa do professor José Geraldo, tem cuidado de colaborar nesse sentido, co-elaborando e encaminhado propostas, documentos e projetos visando a implementação de políticas públicas culturais para Imperatriz. Enquanto isso – como já é de reconhecimento pela comunidade – a Fundação tem outras frentes de trabalho. Uma delas, cuidada pelo coordenador Axel Brito, tem se dedicado mais à parte de produção de eventos, no que tem alcançado resultados positivos, e de grande importância para a cidade. Igualmente, no campo das expressões musicais, destacam-se as ações do coordenador Giovane Pietrinni, tanto com vários cursos especializados, quanto na formação e regência do Coral OS TIMBIRA, com destaque em várias cerimônias e momentos significativos, na cidade e fora dela.
No entanto, o trabalho – sistemático e silencioso – de quem pensa projetos para se realizar a médio e longo prazos... quase sempre não é devidamente reconhecido. Poderia ser comparado, por exemplo, com o ato/processo de pensar o projeto pedagógico para a educação, ao lado da construção de prédios escolares. O prédio logo aparece, enquanto estrutura palpável. Já o planejamento do sistema pedagógico e dos conteúdos curriculares, bem como todo o processo de formação... seus resultados usualmente vêm a ser reconhecidos somente a médio e longo prazos. Mas um não sobrevive sem o outro.
Uma das resultantes desse trabalho da FCI, permanente e silencioso, foi a recente aprovação de cinco dos dezessete projetos inscritos, sob nossa orientação, ao ensejo do EDITAL DE MICROPROJETOS PARA AMAZONIA LEGAL. Aprovação que reafirma o potencial da produção cultural que flui em nossa cidade, frequentemente em condições de sacrifício pessoal e grupal, e que precisa ser fomentado nas três esferas governamentais, dada sua relevância nas dimensões simbólica, econômica e cidadã da CULTURA.
Ao todo, na região amazônica, foram selecionadas propostas em nove estados, sendo aprovados 928 projetos de artistas independentes, grupos artísticos e produtores culturais, totalizando investimento de R$ 13,713 milhões, recursos a serem liberados pelo MinC. O Maranhão superou outros estados, destacando-se com o envio de 198 projetos. Imperatriz certamente contribuiu para esta expressiva participação, com projetos de qualidade e relevância cultural.
Para brindar estes e os outros projetos aprovados em nossa cidade, invoco o poeta João Cabral de Melo Neto, pra que sigamos juntos “Tecendo a Manhã”:
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito
e o lance a outro; de um outro galo,
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos
se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
11 de setembro de 2010
Lília Diniz
Artista
Coordenadora da Fundação Cultural de Imperatriz