Quando Roberto Cabrini expôs a cidade de Imperatriz como “Capital da Pistolagem”, foi um reboliço tremendo. Várias autoridades tomaram as dores e fizeram o que a boa política ensina: fazer biquinho de indignação. Boa parte das autoridades que manifestaram contra a matéria de Cabrini e tentaram “vender” a imagem de uma boa cidade, são as mesmas que na maioria das vezes fazem vistas grossas para os problemas reais que Imperatriz infelizmente carrega por tantos anos. Hoje, o aparato policial é ágüem da nossa realidade quanto habitante. Policias trabalham sem a estrutura necessária, condições para investigar e passe livre para ir atrás. O Governo do Estado noticia avanço na Segurança Pública baseada na entrega de novas viaturas, como se isso fosse coisa doutro mundo, o que é na verdade o básico do básico. As mesmas autoridades que tomaram partido de uma Imperatriz violenta são também aquelas que estão caladas quanto a crimes impunes e insolúveis até hoje e de quebra são aquelas que também marcham ao lado da ignorância de políticas públicas voltadas a segurança da cidade.
E mais uma vez sinto a necessidade de abordar o tema diante a matéria publicada no jornal Correio de Imperatriz intitulada “Junho Sangrento – Um assassinato a cada três dias” (
link direto), enumerando os 11 assassinatos acontecidos no referido mês, sendo três deles com a infeliz característica de crime de pistolagem. Vejamos abaixo:
· No dia 04, Sérgio Vieira da Silva, 22, conhecido como Trem Bala, foi alvejado com dois tiros na cabeça, quando estava na Rua 9, bairro Beira-Rio. Segundo os moradores do bairro, Sérgio já tinha passagens pela polícia por uso de drogas.· No dia 05, cerca de 20h30, sábado. Wilson da Silva Gonçalves, 27, foi assassinado com um tiro na cabeça. Seu corpo foi encontrado na Rua Alvorada, bairro Vilinha.· No dia 06, por volta das 3h20. Thiago Viera Santos, 23 anos, residente na Rua Y, bairro Nova Imperatriz, foi alvejado com três tiros, quando estava ao lado de uma casa noturna.· No dia 07, Wander Silva Barbosa, 22, foi assassinado com oitos tiros, às 2h da manhã, na Nova Imperatriz, no cruzamento das ruas Coriolano Milhomem e Floriano Peixoto.· A comerciante Maria das Graças Costa Alves, 40, foi encontrada morta, no dia 11, por volta das 12h30. Ela estava apenas de camiseta em cima da cama de um quarto da empregada, na área onde fica a piscina da sua residência. O assassinato foi na Rua Pernambuco, no Santa Rita.· No dia 15, Cleiton Oliveira da Silva, 19, foi morto a pauladas na cabeça. O assassinato de Cleiton, mais conhecido como Reizim, foi no bairro Mutirão, as 23h. Reizim vivia no submundo do crime e constantemente era ameaçado de morte. No dia do assassinato, ele foi perseguido por integrantes de uma gangue da Vila Cafeteira, provavelmente seus assassinos.· No Santa Rita, Luiz Oliveira, 40, foi assassinado no dia 18, às 2h30. Luiz Oliveira, mais conhecido por Parazinho, foi alvejado por seis tiros, dos oito que haviam sido disparados contra ele. Parazinho era usuário de drogas e estava na Avenida JK, esquina com a Rua São José quando foi morto. Segundo testemunhas, dois homens estavam numa moto Bros, cor vermelha e o garupa lhe desferiu os tiros. Os motoqueiros fugiram tomando rumo ignorado. Parazinho já tinha várias passagens pela polícia.· Na madrugada do dia 23, às 2h30, foi assassinado com seis tiros o ex-detento Valterlúcio Araujo Silva, 32. O crime foi no cruzamento das ruas Tiradentes com a Rua 16, no Parque São José. Ele era conhecido por Valtinho. Dois tiros lhe atingiram a cabeça, dois no tórax e dois no braço.· O radialista Clóvis Silva Aguiar, 48, foi assassinado na calçada da residência de sua mãe, no bairroMaranhão Novo, dia 24, às 19h. Clóvis foi alvejado com três tiros. Dois dos disparos acertaram-lhe a cabeça. Os dois assassinos estavam em uma moto Titan preta. Clóvis Aguiar já tinha sido vítima de atentado há seis anos. A polícia ainda não tem pistas dos assassinos e mandante do crime.· Na estrada vicinal que dá acesso ao Bebedouro, bairro de Imperatriz, moradores encontram o corpo deMarcos Aurélio Sousa Silva, 34. Marcos foi encontrado no dia 29 , por volta as 20h, com dois tiros, sendo um no pescoço e outro nas costas. A moto que conduzia tinha caído sobre ele. A polícia suspeita de crime de pistolagem.· José Garcia Benício dos Santos, 35, foi assassinado na noite do dia 30, cerca de 20h, no bairro Imigrantes, pelo carroceiro conhecido como João Piloto. João Piloto lhe devia 17 reais e quando Zé Garcia, como era mais conhecido, foi em sua casa cobrar a dívida, o assassino o feriu com três facadas. Zé Garcia não resistiu aos ferimentos e morreu.