
Um Festival de Rock que acontece numa cidade do Sul do Maranhão, distante dos grandes centros e fora do circuito dos grandes shows, pode parecer algo realmente inusitado. Riachão recebeu por três dias (tem gente que esticou mais um pouco) pessoas de várias partes do Maranhão e até mesmo de outros estados, para prestigiar não apenas o festival em si, mas curtir também o “Boogie da Chapada", o maior encontro de pára-quedistas da Região Tocantina e claro, contemplarem a beleza natural das mais diversas cachoeiras que por ali se encontra.

Riachão tem um prefeito roqueiro. O Sr. Edmar Alves não apenas apoiou o evento e capitalizou a idéia na prática, comparece em todas as noites vestido a caráter e fica no meio da galera balançando, ainda que meio desgonsado, o esqueleto. A iniciativa do festival e do evento de pára-quedistas (adrenalina pura) movimentou bem a cidade, com hotéis e pousadas lotadas.
O eco-turismo é uma mão na roda para toda a região e tendo Riachão nesse caso especifico, fomenta muito mais o turismo de aventura e aquece sua economia. Se hotéis e pousadas não tinham vagas, não tem problema, a cidade é repleta de sítios que em suas varandas abrigavam um sem número de pessoas. Para enfrentar um vento maravilhoso e frio de tremer, só mesmo muito sono após uma maratona de muito rock´n´roll.

Quanto aos shows (exceto da sexta, pois não estávamos por lá), é chover no molhado em se tratando da apresentação do Frejat ex-Barão Vermelho, por exemplo. O cara tem carisma de sobra, bagagem musical ímpar e uma banda tecnicamente alinhada. No set deu ênfase a carreira solo, mas deixou de executar músicas do saudoso Barão e de seu antigo parceiro Cazuza. Particularmente já tinha assistido Frejat com Barão em Imperatriz há 20 anos atrás e lembro bem daquela vitalidade e pique empolgante. Hoje o esquema é outro, prioriza a parte mais técnica e musical, algo mais rebuscado, digamos assim.
O domingo foi dos imperatrizenses. A banda 29, cover do Legião Urbana agradou em cheio os fãs de Renato Russo. Nosso camarada Wilson Zara já chegou mandando ver um Bob Dylan e um Pink Floyd para o delírio dos iniciados. Os meninos do Antiquarius dado a experiência nas estradas brasileiras esbanjaram uma performance afiada e um repertório mais agitado do que nas apresentações por aqui. E lá pelas tantas da madrugada, o Pilantropia subiu ao palco e fez um show incendiário. A turma toda (bandas e público) de Imperatriz realmente dominou o Festival no último dia.
É claro que para aliviar do barulho, nada melhor que aventurar nas cachoeiras de Riachão, oriundas do Rio Cocal. Apesar da distância e do acesso um tanto cansativo (o subir das escadarias é fogo), banhar no local conhecido como Poço Azul é super compensador.
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| A água azul e transparente que forma o Poço Azul |
No retorno para Imperatriz uma pausa indesejável: acidente grave entre dois caminhões interditou a BR-010 durante algumas horas, formando uma fila quilométrica. Infelizmente duas pessoas morreram carbonizadas. Segundo informações de populares, o incêndio foi imediato e que apesar da demora do resgate, seria impossível resgata-los com vida. De longe já avistava a fumaça preta, o que já dava sinal que não era algo bom que estava adiante, infelizmente.