Hoje a Câmara Municipal de Imperatriz realizou mais uma audiência pública, desta vez com tema “A degradação ambiental dos recursos hídricos de Imperatriz, com formatação de estudos técnicos para mapear a origem da mesma e posterior revitalização deste recurso”, justamente no Dia Mundial das Águas.
Título lindo e maravilhoso, que até ventila uma possível realização de algo na prática (“formatação de estudos técnicos para mapear...”) após tantos discursos, exposições, mea-culpa, desculpas e um sem número de desacordo desde as diferenças políticas e de conhecimento de causa, efetivamente em nada, infelizmente, se tem palpável e no que diz respeito àquela casa de lei, digamos assim, legislativo para com a comunidade, seja ela defensora ou agressora do meio-ambiente.
É até difícil enumerar um cenário que pelo prazer do acaso político e pelo descaso dos gestores, tem-se o levar com os ombros não apenas o debate, mas como nos engana o tema da audiência, o lugar comum das idéias e toque de caixa queixas e queixosos sem eco e nem ressonância.
Dos cinco deputados estaduais da região, apenas Leo Cunha esteve presente. Apesar do esforço do mesmo em, a título de exemplo, colocar sempre em voga o problema que acontece em Estreito, sua voz não ecoou na Assembleia, e assim a degradação por lá continua com o lavar dos olhos dia após dia. Do governo do estado, que há meses instalou escritório da Secretaria do Meio Ambiente em Imperatriz, responsável para emitir algumas licenças ambientais, necas de pitibiriba.
Da gestão municipal, no que diz respeito à pasta ligada ao assunto, o que falar? É até deselegante o termo, mas é de um abobamento sem igual à forma que é conduzida, tal qual foi à participação na audiência.
Na pauta que propusera criar na câmara uma comissão para então “formatar” estudos que possa criar mecanismos a favor do combate a degradação ambiental, ironicamente, foi deixada de lado. Afinal, criar comissão pra quê mesmo? Se a câmara se faz de ouvido de mercador para as esferas de governo, seja do município ou do estado.
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Acadêmica Talita da UEMA, pediu "cientificidade"
aos discursos ali proferidos
(Foto: Bosco Brito) |
Há de inverter o processo que funcionam as audiências públicas. Ouve-se a todos, menos a comunidade, que tem o ilógico direito de expressar-se quando a galeria e a plenária já está com pouquíssimo (e persistente) público.
Uma estudante do curso de química da UEMA vez as honras desse direito, e em sua fala não poupou esse cenário fictício de ações públicas. Enquanto falava, políticos e politicastros contorciam lá no fundo dos seus corações a vergonha de ser bicho-homem de viés público e eletivo.
Já viste o Beco do Lixo
Onde o bicho
Só come
À falta de outra comida
Bosta e vômito
E depois não vomita
Para não morrer de fome?
Já viste o beco do lixo
Onde o bicho
Se esconde
Da vergonha
de ser bicho?
(Poema “O Beco do Lixo”, de Alcenor Rodrigues Candeira Filho)