A semana que passou mais uma vez foi discutido a incógnita do trânsito em Imperatriz. Incógnita por não haver nenhuma fórmula mágica para organizá-lo e seja qual for o especialista da área, vai adequar teorias e conceitos numa realidade estranha que simplesmente envolve comportamento. A gestão municipal atual vem ao longo de algumas semanas recuperando e/ou asfaltando por completo vias que outrora chamávamos de tábua de pirulito. Ação bem-vinda, louvável e necessário. Ponto! A questão (sempre há um doce “porém”) que a pasta responsável pela organização do trânsito na cidade é manca das duas pernas. Infelizmente não há nenhuma sintonia com a infra-estrutura - é como se fossem gestões diferentes - quase concorrentes. Não é muito difícil observar que aonde o chão preto chegou (em alguns casos, coisa de 30, 45 dias), não há sinalização. Faixa para pedestre, redutores de velocidades, placas etc., não compõem tais vias. A defasagem do tempo é visível, não há como esconder, é um fato. Posso enumerar tais locais! Tudo indica que a Setran não recebe o devido investimento para que coloque em prática coisas simples assim, e, se o recebe, temos então um caso de ingerência.
De qualquer forma, a melhoria do trânsito não compete apenas à pavimentação das vias públicas. Em pleno século 21, isso é apenas o básico do básico. E da mesma forma é básica e comum as vias devidamente sinalizadas, como é o caso da Rua Santa Tereza. Quando falei sobre comportamento lá em cima do texto, é assim que percebo a problemática do nosso trânsito. Nós imperatrizenses somos genuinamente mal-educados. É pura falta de educação mesmo. Somos como animais que precisa ser adestrados, por isso a necessidade de uma campanha que envolva educação no trânsito. E pra variar, a campanha em quase nada mudará nosso comportamento de imprudência. Educação como sabemos é de berço. Este despertar deveria ser ensinado nas escolas, discutido nas associações de classes, no café nos clubes das mães, na palavra aos domingos na igreja. Por sermos tão mal-educados, não discutimos nossa cidade no dia-a-dia. Reunimos-nos para o futebol, sentamos nas calçadas após a novela das sete, mas não falamos sobre nossa cidade. Não agimos assim, pois nas nossas escolas não nos ensinaram sobre nossa cidade, nossos valores artísticos e culturais. Somos mal-educados por Imperatriz não ser matéria escolar como a matemática e o português. Não respeitamos o espaço público, instalando tendas e escritórios ambulantes; ouvimos som automotivo em plena segunda-feira às oito horas da noite; jogamos papel de balinha ou pauzinho de picolé no chão com a desculpa de não ter lixeira próximo; falamos ao celular numa peça de teatro ou não paramos de conversar no cinema. Somos assim, imperatrizensamentes mal-educados, com o comodismo dos nossos gestores públicos, da conversa fiada e com receio de pulso forte na contrapartida da impopularidade. E que fique claro, a falta de educação é nossa como povo e nossa como gestor público e/ou detentor de mandato. Preciso que alguém me ensine sobre Imperatriz, quero mudar para mudá-la e superar a sina de cidadão mal-educado.




