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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Em uma semana, Rodovia Pedro Neiva faz sete vítimas de trânsito

Enquanto a Rodovia Pedro Neiva de Santana é tocada em marcha-lenta e na dissonância do que seria o projeto inicial, a obra soma entre outros números nada favoráveis, o acumulo de acidentes de trânsito ao longo daquele trecho. Esta semana o jornalista Gil Carvalho enumerou em seu Facebook o total de sete acidentes, envolvendo carros ou motos.

Sem sinalização adequada e na ausência de profissionais que possam fazer às vezes de "orientador de trânsito", o caminho que já é tortuoso por conta da ampliação, ganha o emblema de área de risco sem nenhuma informação oficial por parte da construtura e muito menos do governo do estado.

Na terra do nunca, onde tudo pode e ninguém faz nada, é a sociedade que já comia poeira, coleciona agora tombos.
Foto: Gil Carvalho







quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Davi Jr e a lenda do asfalto no Kartódromo de Imperatriz

Ontem (07), a assessoria do Léo Cunha remeteu à imprensa a notícia que o deputado estadual conseguiu emplacar uma emenda para que seja feito um novo recapeamento asfáltico na pista do Kartódromo de Imperatriz, que recebe em outubro uma prova nacional de alto nível, que colocará de vez a cidade no foco do automobilismo brasileiro.

Não foi a minha surpresa saber que a iniciativa e o feito partiram de Léo Cunha. Explico: No dia 16 de julho, Imperatriz completava então os seus 159 anos. O jornal O Progresso como de costume publica uma edição especial onde empresas e políticos da região aproveitam o espaço publicitário para saudar a data alusiva e no embalo da festa, deixar votos de aparências, aqueles que lampejam o esvanecido discurso político.

Na última página do caderno impresso pelo O Progresso, uma página inteira o deputado federal Davi Jr. expôs (com o direito que o oficio lhe confere) enumerar algumas promessas para a cidade de Imperatriz. O último item cita: "Recursos para serem aplicado em bloqueteamento, abastecimento de água e na reforma e ampliação do Kartódromo" e de lambuja a "construção do Mercado do Peixe".

Infelizmente, Davi Jr. incorre no mesmo erro de divulgar empenhos que não efetivam ação de fato. A duplicação da BR-010 é tida como exemplo maior, e os recentes desgastes que toma boa parte da opinião pública e seus formadores, além da imprensa, geram o descrédito do discurso lacônico.

Alguém da assessoria do nobre deputado federal tem que rever tal expediente, pois não cola mais. É de certo, salvo as raras exceções, uma forma muito simplesmente e equivocou de dizer que se faz algo, quando a realidade demonstra outra coisa.

A realidade virtual do Mercado do Peixe, uma novela escrita por vários autores e sem nenhuma direção, fica pra próxima.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Situação dos índios brasileiros é crítica também fora da Amazônia

Neste Dia Internacional dos Povos Indígenas, podem-se comemorar avanços nos direitos indígenas e 400 terras demarcadas no Brasil. Mas índios brasileiros ainda enfrentam adversidades. E não apenas no norte do país.


Autora: Luisa Frey
Revisão:
Roselaine Wandscheer


Pouco antes deste Dia Internacional dos Povos Indígenas (09/08), criado pela ONU em 1994, a organização Anistia Internacional divulgou um relatório alarmante sobre a situação dos povos indígenas no continente americano.

As terras do sul são bem menos extensas que
as da Amazônia, porém também conflituosas
Intitulado Sacrificando Direitos em Nome do Progresso: povos indígenas ameaçados nas Américas, o documento cita o emblemático caso brasileiro de Belo Monte, no rio Xingu, e o dos Guaranis em Mato Grosso do Sul. Especialistas revelam que também as condições de vida dos índios no sul do país são preocupantes.

O relatório apresentado na última semana apela para que os líderes dos países americanos tomem medidas urgentes e decisivas para proteger os direitos indígenas. Além do Brasil – que abriga mais de 700 mil índios, de mais de 200 etnias e com 180 idiomas –, a organização enfoca Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru e Estados Unidos.

A Anistia destaca uma "dicotomia tão falsa quanto perigosa, que vê os 'direitos dos índios' como contrários ao 'progresso'". Frequentemente são aprovadas leis e são executados empreendimentos econômicos sem consulta prévia aos índios, acusa o documento.

No Brasil, as terras indígenas (TIs) representam 13,1% do território do país e 98,6% delas estão na Amazônia Legal – que compreende Acre, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. O 1,4% das TIs restantes espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste e Sul, além do Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste.

Violência em disputas pela terra

Os indígenas no Mato Grosso do Sul estão envolvidos em constantes conflitos com os agricultores locais. A Anistia Internacional acompanha de perto o caso dos Guarani-Kaiowá, sobre a qual publicou um relatório específico em fevereiro de 2011. Após sofrer com violência, assassinatos e discriminação e esperar pela demarcação de suas terras durante décadas, a comunidade – formada por cerca de 30 mil índios – começou a reivindicar seus direitos.

Os pequenos grupos indígenas se deparam com o forte lobby agrícola, especialmente devido ao boom do etanol. "Por isso há muitos conflitos e violência entre indígenas e pistoleiros contratados por proprietários de terras", relata Patrick Wilcken, pesquisador da equipe da Anistia Internacional que se ocupa do Brasil.

Dos cerca de 50 mil indígenas que vivem no Mato Grosso do Sul, os Guarani-Kaiowá são a etnia mais numerosa. Suas áreas, localizadas no sul do estado, são extensas, planas e férteis. Somente a TI localizada em Dourados, por exemplo, tem mais de 11 mil hectares, o que não significa que os índios realmente ocupem esta área.

Fany Ricardo – coordenadora do programa Povos Indígenas do Brasil, do Instituto Socioambiental (ISA) – considera a situação no Mato Grosso do Sul uma das mais críticas do país. "Lá é guerra total contra a demarcação de terras. Muitas vezes a terra indígena já está registrada, mas não há ou quase não há indígenas dentro porque os fazendeiros entram na justiça e conseguem se manter no local com liminares", afirma.

Para Wilcken, as áreas reivindicadas pelos Guarani-Kaiowá serias suficientes para contemplar tanto a atividade agrícola quanto os direitos territoriais dos povos indígenas.

Apesar das iniciativas de promotores federais para acelerar o reconhecimento dos direitos dos índios, o processo continua paralisado. Segundo o pesquisador da Anistia, a demarcação de terras é impedida por bloqueios judiciais e pela influência dos produtores.

Intensa ocupação

Desde que a questão indígena passou a ser um tema de relevância no âmbito da sociedade civil brasileira, no final da década de 1970, 400 terras indígenas já concluíram o processo demarcatório, segundo dados do ISA. A maioria delas fica no norte do país.
Enquanto 291 TIs da Amazônia Legal já estão homologadas e registradas, a situação nos estados da região Sul – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – e ainda de São Paulo e do Rio de Janeiro é diferente. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), das 186 terras indígenas dessa área, 29% não iniciaram ainda qualquer estudo de identificação – a primeira das sete etapas do processo demarcatório.

O contraste entre norte e sul pode ser explicado pelo fato de a colonização do Brasil ter sido iniciada pelo litoral, o que levou a embates diretos com os indígenas que ali viviam, aponta o ISA. Segundo o Instituto, aos índios restaram terras diminutas, conquistadas a duras penas. Além disso, o sul ainda hoje é mais desenvolvido e povoado que a Amazônia – região ainda em processo de ocupação. "Quanto mais ocupada a área, mas difícil é o reconhecimento da área indígena", afirma Fany Ricardo.

Segundo Clovis Brighenti, antropólogo e membro do Cimi, apesar de o Sul ser a região com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, os indígenas que ali vivem enfrentam uma situação precária. Ele explica que isso se deve à falta de terras e ao violento processo que os índios enfrentaram no passado, ao serem confinados pelo Estado brasileiro e controlados em suas reservas. Eles perderam as terras e, hoje, os poucos hectares que recebem de volta não bastam para garantir sua sobrevivência.

Pequenas, mas conflituosas

Além de poucas, as terras indígenas do Sul são pequenas. Mas o potencial de conflito é grande, por conta da intensa ocupação da região. É o caso da Aldeia Jaraguá, do povo Guarani Mbya, em São Paulo, cuja extensão de apenas 2 hectares, apesar de demarcada, impossibilita que os indígenas extraiam seu sustento da terra.

Já os Guarani Mbya e Ñandeva, de Morro dos Cavalos, Santa Catarina, por exemplo, esperam há 18 anos pela demarcação dos seus quase 2 mil hectares de terras. "É muito urgente, [...] a gente precisa de mais lugar para morar, está muito complicado", disse o cacique Teófilo Gonçalves a Rafaela Mattevi, autora do ensaio jornalístico Nhandereko Tenonde Rã (O futuro da nossa cultura). Sem a compreensão da sociedade, os índios enfrentam a especulação fundiária, a falta de espaço e a miséria dela proveniente, enumera Mattevi.

A terra indígena de Guarani Araça'í, de 2,7 mil hectares, também em Santa Catarina, é palco de conflitos entre pequenos proprietários rurais e os índios Guarani Ñandeva, que, confinados em áreas do povo Kaingang, reivindicam o direito de retornar à sua terra. Desde 2007, sua área encontra-se declarada pelo Ministério da Justiça, o quarto dos sete estágios da demarcação.

Wilcken, da Anistia Internacional, considera "chocante o fato de, no Brasil, um país relativamente rico", tantos grupos ainda viverem em condições de miséria e discriminação. "Houve muitos avanços desde a Constituição de 1988, com sua forte legislação em defesa dos direitos dos povos indígenas, mas ainda há muitos problemas em termos de direitos sobre a terra", conclui.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O PAC que empaca e empata

Lançado como uma grande revolução e solução para o problema do déficit habitacional no Brasil, o Programa de Aceleração do Crescimento (mais conhecido como PAC), que entre outras coisas também contempla outras ações públicas como acesso à água e à energia elétrica, ampliação da logística de transportes etc., no começo foi usado de toda maneira na campanha política. Ganhou até uma versão 2, para alongar ainda mais a conversa.

Casas do PAC no Parque Amazonas
(Foto: Correio Popular)
Em Imperatriz não foi diferente. Na época o então prefeito Ildon Marques lançou o PAC por aqui com aquela velha maquete digital, expediente que em descrédito, gerava a controvérsia do que é real e imaginário. O vídeo você pode conferir logo abaixo. Não há muito o que falar!

Entre o virtual e o concreto, a realidade das casas do PAC começa a ruir agora. Digo, agora, nos meios tradicionais de comunicação, tendo em vista que os problemas já de longe batiam à porta. E o que era uma seara a ser explorada outra vez de forma eleitoreira, torna-se de fato uma grande dor de cabeça. Uma poeira que o ex-gestor tem que varrer para baixo do tapete e que para o atual gestor cabe a urgência de resolver tal situação.

O inicio das obras em si já beira a irregularidade por negligenciar a estrutura de saneamento básico. Sem nenhum trabalho de assistência social que coroa também uma saúde pública preventiva, as famílias foram deixadas ali a própria sorte. Com uma câmara de vereadores alheia a tais problemas e um Ministério Público que precisa ser provocado a todo instante, institucionaliza-se assim moradias toscas e desprovidas de recursos higiênicos e de infraestrutura. Se antes as famílias residiam na degradação de áreas alagadas, por exemplo, hoje aspira por água a conta-gotas.

Moradia é o sonho de todo brasileiro. Obviamente, o beneficio da casa própria por meios de ações de governo não devem entrar na normalidade do “menos ruim”. O entendimento político do cidadão começa a rachar, assim como as calçadas sem sombra que afunda a esperança daqueles que compõe uma espécie de almoxarifado na periferia de Imperatriz.

domingo, 7 de agosto de 2011

Entrevista com Isnande Barros

O professor Ed Wilson entrevistou o também professor Isnande Barros. Ambos, por sinal, também blogueiros de primeira linha. A entrevista foca na política local e o próximo pleito. Sem delongas, vamos as perguntas e respostas:

Qual a sua avaliação do governo Sebastião Madeira?
Isnande - O candidato Sebastião Madeira gerou uma expectativa muito grande no eleitorado de Imperatriz, pois prometeu muito em função da aliança PSDB-PDT. Com a queda de Jackson Lago - seu maior apoiador - ele se deparou com dificuldades extremas para cumprir pelo menos parte das obras prometidas, principalmente em infraestrutura urbana. Enfrenta problemas na saúde, com excesso de contratos feitos com dispensa de licitação. Eu daria nota 6,0 para sua administração.

Isnande Barros foi presidente do Diretório Municipal do PT.
Hoje analisa a possibilidade de assinar a ficha de filiação
no PCdoB de Flávio Dino, com quem mantém frutífera relação
(Foto: Carlos Leen)
Como o prefeito está encarando a saída de Edmilson Sanches do PSDB para candidatar-se a prefeito pelo PC do B?
Isnande - No ninho tucano todos sabiam da pretensão de Edmilson Sanches, mesmo quando o tiraram do PSB para uma candidatura a vereador na eleição passada. Sanches seria candidato em 2008 pelo PSB. Ele é visto como um azarão pelos seus governistas e um candidato que não disporá de recursos financeiros para a campanha, mas que se apresentará como o novo, a novidade eleitoral de 2012. Isso assusta os tucanos.

O vice-prefeito de Imperatriz Jean Carlo (PDT) têm feito muitas críticas ao prefeito nas redes sociais. Como Madeira vem reagindo?
Isnande - As críticas cessaram depois de uma conversa do prefeito Madeira com o presidente estadual da legenda e após a visita do presidente nacional do PDT, em que praticamente foi sacramentado o acordo entre "a rosa e o tucano". O PDT indica o vice de Madeira em 2012. Pelo que ficou acertado, o deputado estadual pedetistaCarlos Amorim não sai candidato e em troca indica o vice de Madeira.

Existe uma diáspora na base de Madeira ou ele conseguirá reverter a situação?
Isnande - Na hora certa a "casa estará quieta e o povo dentro", contentes e descontentes estarão no mesmo barco, pois Madeira "é quem está do lado do cabo do machado" e tem a caneta que demite e nomeia. Até aqueles que lançaram candidaturas fora da hora, já silenciaram, pois tiveram seus pleitos atendidos. A inquietação era uma questão de atendimentos de pleitos individuais.

Como estão se movimentando os partidos de centro-esquerda na sucessão de Madeira?
Isnande - PCdoB, PT e PSOL se movimentam mais visivelmente e já apresentaram vários filiados para a disputa majoritária de 2012, dentre eles Edmilson Sanches e Marco Aurélio pelo PCdoB; Adalberto Franklin, Expedito Barroso e Terezinha Fernandes pelo PT e mais dois nomes pelo PSOL. PDT e PSB, salvo algumas divergências internas, estão na sombra dos cargos municipais e conduzem a situação em banho maria e deverão manter a aliança PSDB, PDT, PSB e PPS e mais alguns nanicos, visando a reeleição de Sebastião Madeira.

O PSOL pode vir a compor com o PT e o PC do B, por exemplo?
Isnande - Acho que muito provavelmente o PSOL comporá com o PCdoB e o PT, tendo Edmilson Sanches como candidato majoritário.

Existe a possibilidade do deputado estadual Carlinhos Amorim (PDT), um aliado de Madeira, ser candidato a prefeito?
Isnande - O deputado estadual Carlos Amorim, mesmo tendo um bom índice de intenções de voto nas pesquisas realizadas, não disputará a eleição. O presidente nacional do partido, quando aqui esteve, até falou em "possibilidade de candidatura própria", mas internamente tratou de garantir a vaga de vice e disse não abrir mão da vaga para seu partido. Ao deputado falta disposição para romper com Madeira e o enfrentar em disputa majoritária.

A oposição reacionária liderada por Ildon Marques (PMDB) tem candidatura competitiva?
Isnande - A eleição em Imperatriz tem dois cenários: com e sem Ildon Marques-DEM, já que o ex-prefeito tem um eleitorado cativo na faixa de 30 pontos percentuais. No grupo palaciano, o único nome que poderia ser elevado à categoria de "competitivo", seria o do empresário Ribinha Cunha (PMDB), desde que houvesse um empenho dos caciques sarneístas - da cidade, do estado e da União - em torno do seu nome. É jovem, bem sucedido financeiramente e tem baixa rejeição. Resta saber se Ildon Marques calçaria suas botas e colocaria o pé na poeira para pedir votos para um outro nome do seu grupo político.

Considerando Imperatriz um reduto anti-Sarney, como será a receptividade do eleitor aos vereadores que apoiaram Roseana Sarney em 2010 e tentarão a reeleição em 2012?
Isnande - Como temos memória curta, poucos lembrarão daqueles que abandonaram o "velhinho" Jackson Lago e viraram roseanistas de uma hora para outra. Lembrando que os vereadores viraram a casaca, em função de recursos que seriam aplicados em Imperatriz. Roseana Sarney perdeu votos com o apoio dos vereadores traidores e as ditas obras prometidas nunca vieram. Vamos lembrar de alertar os eleitores sobre essa atitude de nossos vereadores, quando chegar a hora da colheita de votos.

Fonte: Blogue do Ed Wilson