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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A arrogância da imprensa e o despreparo de nossos líderes

O camarada e jornalista Marcos Franco publicou em seu blog um comentário bastante sóbrio e desconcertante a cerca do lamentável episódio envolvendo uma equipe da TV Mirante local e moradores de rua na Av. Beira-Rio.

Oportunas observações que grosso modo vai de encontro ao pensamento maquinário de alguns profissionais da imprensa, ainda que estes não se definam como agentes de informação e/ou meio, diariamente os devaneios e a fragilidade da atuação esbarra no mercantilismo da desgraça alheia às vistas da bajulação política e rasteira.

Vejamos:

"Hoje pela manhã, como sempre faço, estava tomando meu café assistindo ao noticiário. Eis que o telejornal local mostra uma matéria de uma agressão sofrida por sua equipe de reportagem na beira-rio. Na matéria, aparece a imagem de um homem segurando uma mulher, tentando contê-la. O repórter diz que era uma briga e, supostamente achando que era um grande furo, foi se meter na história. Não se consegue ouvir, mas a mulher – visivelmente alterada – deixa claro que não quer ser entrevistada. Ora, é um direito seu e pelo que se mostra ela não aparenta estar cometendo nenhum crime, nem colocando a sociedade em risco. Mas o repórter insiste e a mulher toma o microfone e agride o repórter.

Bom, nada justifica a agressão da mulher contra o repórter. Ainda que pudesse estar drogada, como insinua a matéria. O correto seria então o agredido chamar a PM e registrar a ocorrência na delegacia. Mas a questão não é exatamente essa.

O grande erro de nós jornalistas é nos acharmos com mais direitos que os outros. Um microfone, um gravador ou uma câmera não nos dá alvará para fazermos o que quisermos. Houve uma briga, o repórter quis cobrir, mas a mulher não queria ser entrevistada ou filmada. É exatamente o que acontece todos os dias nos programas policiais: a exposição de quem não foi julgado e, portanto, não pode ser considerado criminoso. A matéria poderia até ser feita sem precisar desses recursos. Mas a questão também ainda não é exatamente essa.

Logo ao chegar ao trabalho e checar os emails e redes sociais, já havia uma nota de repúdio da Associação de Imprensa da Região Tocantina (Airt). Li, mas quase não acreditei no que meus olhos viam. Logo na terceira linha está escrito sobre os moradores de rua: “eles contaminam a cidade”. Uma entidade de classe, de jornalistas, acha que os moradores de rua “contaminam” uma cidade. Vamos em frente e vejamos outro trecho: “Em meio à tanta desordem e desrespeito junto a sociedade, é que A Associação de Imprensa da Região Tocantina – AIRT, se posiciona repudiando o ato e pede atitude das autoridades que garantam a liberdade de Imprensa” (sic). Que “tanta desordem” é essa? Uma briga de moradores de rua? E em que momento a liberdade de imprensa foi ameaçada? No meu entendimento, não passa de preconceito. Os moradores de rua, por diversos motivos, estão em situação de fragilidade social. Não contaminam ninguém. A nota acerta em alertar o Estado – aqui no caso a prefeitura – e cobrar auxílio a essas pessoas.

Mas meu espanto não pára por aí. Um colega jornalista comentou a nota numa rede social, apoiando o repúdio. Até aí tudo bem, tudo normal. Seria. Veja o que disse o coleguinha: “ Nos lugares onde se assentam essas pessoas, nem capim nasce mais…”. Mais uma clara demonstração de preconceito, de despreparo para lidar com os problemas sociais. O comentário engrossa o coro dos que vêem nossos pobres e desamparados como doenças.

Nós, jornalistas, temos que aprender que o tal quarto poder é um mito, uma inverdade, uma ilusão arrogante. O mundo, as pessoas, não estão aos nossos pés, nem sob nosso julgamento. Nós devemos nos colocar em nossos lugares. Nosso trabalho é levar a informação à sociedade e não interferir nela".

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Apoio da Ceste aos ribeirinhos é insignificante

(Foto: Hemerson Pinto / Correio Popular)
O Editor literário Adalberto Franklin postou no mural do seu Facebook um comentário pertinente sobre a ajuda capenga que o Ceste concede aos desabrigados ao longo do Rio Tocantins. Vejamos o texto a seguir:

Os jornais deste domingo anunciam que o Consórcio Estreito Energia (Ceste) "confirma apoio aos desabrigados" da enchente do Rio Tocantins, causada pela liberação repentina e sem aviso prévio de suas comportas. A leitura apenas da manchete dá a impressão de que a empresa realmente se compromete a fazer um gesto de responsabilidade à altura dos prejuízos causados, mas não foi isso que aconteceu. Os redatores da matéria gastaram um monte de parágrafos, "enchendo linguiça", apenas para dizer que a empresa enviara colchões para os desabrigados.

É realmente um acinte o descaso da Ceste com os municípios impactados por esse empreendimento. Até hoje, há diversas ações mitigadoras não cumpridas com as comunidades ribeirinhas e com os municípios. E há diversos impactos que agora ocorrem sem que tenham sido previstos no projeto da obra, o que leva a crer que os relatórios de impacto ambiental foram mal dimensionados (ou mesmo propositadamente escondidos).

Foram assumidos impactos praticamente a montante (rio acima) da barragem, quando os demais, a jusante, estão agora sentindo os efeitos danosos e prejuízos financeiros não previstos. Desde Estreito até São João do Araguaia, os municípios agora são obrigados a arcar as despesas com as constantes cheias do rio, em que se veem obrigadas a dar socorro, abrigo e alimentos para as famílias atingidas. Além disso, no período de veraneio não podem mais contar regularmente com suas praias fluviais, que geravam ocupação, renda e atividades esportivas e culturais.

Não se compreende como os gestores desses municípios se contentam com esse mísero "apoio" de uma empresa privada, causadora de tamanho dano, que vem sendo injustamente pago com o dinheiro do público (do próprio povo). A se manter essa postura, daqui pra frente os municípios tocantinos terão que reservar uma boa parcela do seu orçamento somente para cobrir os impactos provocados por essa empresa, reduzindo ainda mais a capacidade de seus investimentos.

Pelo que se sabe, o projeto da Ceste não previu nenhum impacto sobre Imperatriz, mas nesse pouco tempo já deu muitos prejuízos ao município. A continuar assim, muitos milhões terão que ser gastos para cobrir os prejuízos causados pela Ceste, que ganhará centena de milhões vendendo sua energia sem qualquer responsabilidade com a região.

(Texto sem correções, postado em 22.01.2012)