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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Lobão elétrico: um choque de desinformação

Antes de tudo, cada um tem todo e total direito de reclamar pela sensação frustrante que foi o show do Lobão. Aliás, inclusive, para aqueles que não esperaram (afinal de contas, paciência tem limite), devem ser ressarcidos do ingresso e/ou no entendimento de ter sido lesado. Este é um ponto.

No meio do tiroteio, ninguém consegue raciocinar direito e as coisas ficam mais claras quando tudo passa. No stress, o que poderia ser simples, torna-se uma nuvem escura que embaça tudo. E foi isso que aconteceu desde cedo, não saber administrar o problema no principio da fagulha. E na hora do incêndio, poucos se prontificam ajudar.

Vamos ignorar todos os comentários maldosos e jocosos em relação ao artista e sua banda. Para quem acompanhou pelo twitter o que Lobão escrevia, sabia do desespero dele sobre tudo que estava acontecendo. Numa ilógica do percurso dos shows, Lobão estava em Teresina no dia anterior. Veja que loucura: de Teresina ele foi pra Brasília de avião. Luís Gonzaga [e/ou João do Vale] já havia dito: “Peguei o trem em Teresina pra São Luís do Maranhão”. Era o mais lógico. O vacilo começou daí.

De Teresina para Imperatriz é um arco extremo de dois pontos. E quem pagou o pior, foi à banda que estava vindo de ônibus. E aí aconteceu a merda toda do imprevisto. O ônibus (de linha) da banda quebrou no meio do nada. Sem comunicação por mais de horas, já imaginava que o pior tinha acontecido. Quando o sinal telefônico estabeleceu, foi então agilizado uma van para trazer a banda para Imperatriz. E aí, outra porcaria aconteceu: justamente ali em Açailândia, já era 21 horas, o motorista vacilou lá naquele infeliz trecho e rasgou rumo ao Pará. Foram bater em Dom Elizeu!

Só pra recapitular: o ônibus quebrou, a banda ficou sem comunicação, arrumaram uma van, informaram aos organizadores do show que já estava chegando em Açailândia e depois disso, se perderam. E mais uma vez, perdeu-se o contato telefônico.

Não é justo dizer que Lobão chegou a Romanos ou a Imperatriz 3 ou 4 horas da manhã. Que o cara estava chapado, lesado, nada disso. Às 23h30 ele já estava no hotel louco com todos os acontecimentos e imprevistos. Lobão chegou à Romanos umas 2 horas da manhã, após saber que a banda já estava a caminho. Mas até aí, não há nenhum alívio, pois aquela altura não iria ter passagem de som e claro, com mil anos de estrada, ele sabia que não ia ser legal aquela apresentação.

A banda de Lobão fez um esforço Hercule para chegar e fazer o show. E apesar de toda a má sorte, os caras e a mina da bateria, diga-se, tocaram pra caralho. Eu nem sei dizer se isso faz parte do espírito rock´n´roll, talvez estivesse sendo injusto com algum estilo, mas parece que só mesmo no rock coisas assim acontece, tirar de onde não há mais nada, energia para fazer acontecer. Apesar do som ruim, problemas no retorno, microfone dando choque, agregado a tudo que havia acontecido, a banda detonou e tocou com ânimo e gás, até o limite do provável, até onde dava.

E você deve se perguntar: pq a banda estava de ônibus e o Lobão de avião?! Acreditem, Leornado da Romanos havia proposto que todo mundo chegava e partia de avião. As outras localidades que não aceitaram, e para os shows acontecerem (que já haviam sido cancelados), era viável para os outros organizadores ter a banda encarando o trajeto de busão.

Átila, Lobonis e Cidoca
De qualquer forma, foi um acumulo de imprevistos, má sorte, mas em nenhum momento má vontade nem de Lobão, nem da banda e equipe e nem da organização do show. Foi até pensando em adiar o show para outro dia, colocar o Antiquarius para segurar mais um pouco a galera. Vixe, rolaram muitas coisas! Não acho certo comentar que show de rock é assim mesmo, que os problemas fazem parte do show do Lobão. Não é justo isso. Quem tem banda, viaja Brasil adentro, além do fato de fazer isso há décadas, é tão frustrante quanto é para o público.

E mais uma vez afirmo, o público fez sua parte. E foi algo sensacional, mas infelizmente deu esta porcaria toda. Parece até amadorismo! Talvez houvesse a perca do timing da organização do show e do proprietário da casa em não informar abertamente a todos o que de fato estava acontecendo. Acredito que a verdade sempre é o melhor caminho para esclarecer qualquer desfortúnio dos contratempos. Por bem ou por mal, deveriam ter aberto o jogo e não sei se é inocência de minha parte, mas acho que todo mundo ali iria compreender. Os que não concordava esperar, reembolsasse o investimento. Porém, assim como os demais, eu estava ali como expectador, fã e solidário a toda problemática. Tentei ajudar na mais extrema das limitações. Minha esposa e filho acompanharam tudo de perto.

Foi frustrante, quase brochante. Artista e público merecem muito mais. Todavia, que problemas assim não nos façam desistir de outros eventos fora da seara comum que rola em Imperatriz e não perder a fé que shows melhores virão. Sei que por mais que tente justificar tudo que aconteceu, não tiro a razão da discordância. E não esqueçam pessoal, o Pilantropia fez um puta de um show, segurando a onda em manter um público que fora ali para ver o artista principal da noite. Vamos reconhecer o valor da nossa turma. Não é fácil.

Talvez tenha esquecido de um ou outro detalhe. Agradeço ao Jan Ricardo, ao Jerry e a minha família por compartilhar tudo que aconteceu. You can't stop rock 'n' roll!!!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Blogs censurados: o poder da palavra

Impossível voltar aqui e não comentar sobre os blogs “censurados” aqui na cidade e os processos movidos aos autores. É claro que o termo censura não cabe, por mais que a prerrogativa seja intimidar, censura é algo muito mais sério. Ainda gozamos em muito da liberdade, e da expressão, deve-se levar em conta a tremenda responsabilidade. Na empolgação, vacilamos e às vezes nos expressamos da forma inadequada, muitas vezes chula, outras tantas na esfera pessoal. Mas devemos amadurecer e saber dizer o que deve ser dito sem baixar o nível, não se igualar ao já rasteiro intento político de uma gestão cambaleando das pernas, deixando a desejar tamanha foi à necessidade de mudança.

Há muito tempo li uma entrevista de Yasser Arafat na revista Veja (uma edição comemorativa). Nela, Arafat fala sobre o poder da palavra, como ela transforma e mudam cenários. O repórter tenta se esquivar de sua responsabilidade que é a palavra, e Arafat fala algo que me marcou profundamente. Graças ao Sr. Google, encontrei a entrevista no acervo da própria revista. Vejamos:

VEJA – Diz-se que o senhor nunca dorme duas noites seguidas no mesmo lugar. É verdade?
ARAFAT – Não, é exagero.

VEJA – Mas não teme pela sua segurança?
ARAFAT – Todo mundo cuida de sua própria segurança. Você também deve preocupar-se com sua segurança, não?

VEJA – A diferença é que o senhor tem um revólver na cintura, e eu um gravador.
ARAFAT – A palavra é mais forte que o revólver. Lembre-se: "No princípio era o verbo..." Você sabe como nós enfrentamos uma outra ocupação da Palestina, a dos romanos, há 2 000 anos? Nós mandamos a Roma um homem, o pescador e apóstolo Pedro, que se tornou o primeiro papa como sucessor de Jesus Cristo. E com sua palavra ele ocupou não só Roma mas também o coração de milhões de pessoas em todo o mundo.

Olha como Arafat é um puta de um sagaz: “no princípio era o verbo...”.

Sei que vacilamos. Acusar sem provas, falar por falar, é de uma bobeira quase infantil, que deve ser superada, pois não adianta esbravejar tentando defender conceitos ou idéias que nem são do nosso íntimo, apenas para gerar polêmica ou descrédito político. Não compensa. É claro que não se deve “baixar a guarda” e nunca deixar de questionar qualquer coisa que interfira em nossa cidade. Se ganha até mais credibilidade no debate. Todos temos uma dádiva: aprendizagem.

Nessa confusão toda, revela-se também coisas triste como ser sorrateiro enquanto a delirante passagem pelo poder. Pior do que advogar em nome de uma causa danosa, retrógrada e sem nenhum cuidar de verdade da coisa pública, é advogar com mesquinharia e na petulância contraditória do discurso de outrora. É perder por muito pouco valores por condicionamento e subserviência.

Coisa do passado: Via Sacra na Av. Beira-Rio

Tempos atrás, neste período de Páscoa, a cidade de Imperatriz vivenciou e prestigiou por 3 ou 4 vezes a interpretação do grupo Face a Face da Via Sacra na Av. Beira-Rio e em outra edição no 50 Bis.

O espetáculo ao ar livre envolvia um sem número de participantes (cerca de 800 atores e mais de 150 técnicos), atores não profissionais, mas movidos pelo desejo em encenar algo tão representativo, era colocado a toda a prova diante um público super numeroso, onde apesar de alguns cenários montados, a peça decolava de fato quando se envolvia com o público, no momento da Via Crucis, do Petrório ao monte do Calvário. A “entrega” dos atores era de tal forma, que era perceptível a emoção dos que estavam ali presentes.

Projeto assim, independente se recebeu o manto de investimento e reconhecimento de uma gestão anterior, não devem cair na pequenez da política partidária e esvanecer com o tempo, sem continuidade.

As manifestações culturais, religiosas ou não, gera um incalculável retorno para o gestor, e não falo do turismo, da economia urbana ou de dividendos para os cofres públicos. Mas recebe o prestigio, a estima e a retribuição pela sensibilidade do gestor em ver com olhos de multidão e não um turrão na interpretação de “que isso não compensa”.

É uma pena!


Fotos: Samuel Souza (Acervo Pessoal)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Voltando a escrever no blog

Digamos que a “casa não ficou” muito bem organizada e que algumas horas a mais ou a menos, pode fazer a diferença em voltar a escrever aqui no blog. O problema de ficar ausente em detrimento de outras atividades é não registrar fatos que acontecem e é sempre bom escrever qualquer bobeira sobre o que ocorre no “espaço, tempo e movimento”. O que motivou também a voltar a postar foram alguns temas debatidos neste ínterim no Facebook e um número razoável de seguidores, a maioria não debatendo os problemas da cidade e/ou simplesmente não discutindo a cidade. É fundamental aliar todo aquele público crescente no Facebook (e também no Twitter) a se interessar em conhecer e ler os mais diversos blogs aqui da Imperosa. As redes sociais são de extrema valia para socializar e compartilhar idéias, informar e debater assuntos pertinentes que interferem em nosso dia-a-dia, seja social, econômico e político, o que em suma possuem os mesmos significados.

Muitos dos novos visitantes (que acredito vindo do Facebook e do Twitter) não conheciam este nosso blog. Portanto, fique a vontade para vasculhar as postagens anteriores. E os que sempre estão por aqui, já sabem bem como as coisas funcionam. É importante ressaltar que não basta apenas ler as bobeiras aqui escritas, por favor, comentem, discordem, contraponham, questionem. Para construirmos um debate saudável e democrático, é salutar a participação, mesmo que seja para discordar. Somar o pensamento de todos para extrair o bem coletivo, sem restrição ou policiamento da informação.

E por fim, adotamos um novo visual do blog, com uma novidade aí na lateral direita, que são as postagens feitas diretamente no Twitter. Bom, deixamos de lenga-lenga, pois daqui a pouco “o pau vai cair a folha”.