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sexta-feira, 8 de março de 2013

Contação de histórias: projeto proporciona acesso à leitura

Do portal Do Minuto
Com reportagem de Paula de Társsia

Levar informações e o gosto pela leitura de uma maneira lúdica, descontraída. Esse é o objetivo do projeto contadores de história, Cata e Conta, que encerra no mês de abril. Algumas regiões de Imperatriz já foram contempladas com o projeto: Bairro da Caema, Vila Cafeteira, Vila Machado, Bom Sucesso, Conjunto Vitória, Vila Brasil. A cidade de João Lisboa também recebeu a visita da equipe.

O projeto já visitou várias regiões de Imperatriz.
(Foto: Arquivo pessoal / Reprodução)

A coordenadora do Cata e Conta Jô Santos, esclarece que o projeto é gratuito e só é precisa de um transporte para levar os contadores de histórias. “Ainda temos disponibilidade na nossa agenda até o início de abril. Os interessados entrem em contato por meio dos telefones 9190-1336/8845-2260/3523-8443,para vemos uma data”.

Jô destaca o brilho olhos da criança que têm acesso a leitura por meio desta maneira descontraída. “Porque além de levar o contar de uma forma diferente, levamos também a Trupe de Habilidades Circenses (THC), mostrando malabares. A gente interage com a criança no momento em que ela está lendo o livro. Elas têm o contato com o livro, isso que é importante”.

As narrativas do João Bobo e Charalina são as preferidas dos baixinhos. Os artistas locais também são valorizados no projeto. “A gente traz história da nossa cidade. Conta poesias dos escritores da terra, por exemplo, Zeca Tocantins e Lília Diniz. Tentamos mostrar a cultura imperatrizense. Nas nossas atividades sempre contamos quatros histórias, depois fazemos algumas recreação, as deixamos falarem. Sempre há uma interação entre o contador e o público”.

“Os pais hoje, com tanta correria, deixaram de ter o hábito de ler história, de brincar com os filhos. É difícil, mas a gente tem tempo para assistir novela, como é que não vai ter tempo para fazer recreação com nossos filhos? A criança que ouve essa história jamais vai esquecer. E não só a criança, mas os adolescentes, porque a história é para todo mundo”, ressaltou Jô Santos.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Lucena Filho mantido na presidência da Fundação Cultural de Imperatriz

O processo de votação para escolha do presidente da Fundação Cultural de Imperatriz (FCI) aconteceu nessa terça-feira (5) durante sessão ordinária da Câmara Municipal de Imperatriz. O presidente mantido Antônio Mariano de Lucena Filho destacou o processo de votação que cumpriu o artigo 14, da Lei Municipal, que disciplina sobre a realização de sabatina para definição do presidente da Fundação da Cultural de Imperatriz. “Nós fomos indagados por quase todos os vereadores, vamos agora realizar esse novo planejamento”, disse.

Lucena Filho é reconduzido à presidência da Fundação Cultural de Imperatriz
Fábio Barbosa/Ascom

Lucena Filho enfatiza que a prioridade nesse momento é a criação do Sistema Municipal de Cultura, onde a primeira reunião será realizada no próximo dia 12 (terça-feira) com o objetivo de reunir os segmentos da cultura de Imperatriz. “Esse projeto é como o SUS na área da saúde”, comparou.

Ele assinalou que esse “consórcio” dará subsídio a cultura, onde está inserido o Fundo Municipal de Cultura, o Plano Nacional de Cultura, Lei de Incentivo e o Conselho Municipal de Cultura. “Essa lei é de fundamental importância para receber os recursos oriundos dos governos federal e estadual”, acrescenta.

Prestação de contas – Utilizando recursos áudio visuais, o presidente Lucena Filho mostrou relatório aos vereadores, aos jornalistas e ao público presente na galeria do trabalho realizado nesses últimos quatro pela Fundação Cultural de Imperatriz.

Ele ressaltou que foram realizadas grandes manifestações culturais em Imperatriz. Citou, como exemplo, o carnaval – a maior festa popular do Brasil – promovida com êxito nesses últimos anos. “Esse circuito carnavalesco, desde 2009, na Praça Mané Garrincha, em frente ao Estádio Frei Epifânio, resgatou o tradicional carnaval das famílias de Imperatriz”, disse.

Lucena Filho observa que durante a realização da festa carnavalesca não houve registro de ocorrências graves nos circuitos da Praça Mané Garrincha, da Cultura e da Beira-Rio, em Imperatriz. “Em 2010, o município resolveu promover o Festival de Marchinhas, valorizando [ainda mais] os artistas locais”, enfatizou.

Sabatina - O vice-presidente da Câmara Municipal de Imperatriz, Esmeradson de Pinho, parabenizou o presidente reeleito Lucena Filho pela explanação sobre o trabalho realizado à frente da presidência da Fundação Cultural.

O vereador Marco Aurélio considerou importante a realização dos eventos promovidos pela Fundação Cultural de Imperatriz, mas ressaltou que sejam apoiados outros projetos, como o hip hop, entre outros.

(Ascom/Câmara)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Estudantes da UFMA lançam documentário sobre a panelada

Do portal Do Minuto
Com reportagem de Alda Queiroz

O restaurante a céu aberto não tem letreiro iluminado nem maître que indique a posição adequada para se ocupar uma mesa. A música ambiente não é suave e os serviços oferecidos fogem do padrão self service ou fast food. No “De costas pra rua”, a iguaria é a mesma todo dia: panelada. Galinha caipira e sarapatel são simples coadjuvantes. Em Imperatriz, o prato principal pode ser encontrado em pontos estratégicos. O negócio é praticamente uma franquia.

As imagens foram capturadas em janeiro deste ano.
(Foto: Vanusa Babaçu)
Pensando em retratar a panelada na cidade, os estudantes de Comunicação Social, Clarícia Dallo e Fernando Ralfer, produziram um vídeo documentário. O filme, que tem 17 minutos, é o produto final do trabalho de conclusão do curso de Jornalismo, na Universidade Federal do Maranhão. A apresentação da monografia e a primeira exibição fílmica aconteceram nesta sexta-feira (01), na UFMA.

Do preparo ao consumo, as imagens partem da ação de três personagens. O olhar do vídeo busca interpretar a realidade destas mulheres por meio das experiências reveladas por cada uma delas. O que se observa é que estas anônimas personificam a realidade de todas as pessoas que vendem panelada.

As vozes são variadas mas as histórias se confundem. Cícera Lopes há 20 anos vende panelada na Feira do Mercadinho. Francisca Lopes há 20 anos empilha as panelas no setor Quatro Bocas. Maria Lopes desfila com o carrinho de comida nas primeiras horas da manhã. As três histórias, destas três mulheres, que são irmãs, costuram a narrativa.

Arte de registrar - “Quando alguém chega perguntando o que é panelada já sei que não é daqui”, brinca uma das irmãs. Com a pesquisa em mãos, Fernando e Clarícia desenvolvem um roteiro que ganha forma nas telas. O ineditismo da realização de vídeo em trabalhos de conclusão de curso e a abordagem do tema propõem uma reflexão sobre a produção local. De acordo com Clarícia, o filme também representa a realidade pertencente a este povo, exaltando as vivências da comunidade. “Quisemos destacar a panelada como patrimônio cultural, humanizando as paneleiras e mostrando a relação do prato com os consumidores”, acrescenta.

Arte de colorir - “Panelada sem corante não é panelada”, salienta a cozinheira que faz o prato para amigos, Didi Praes. O vermelho do condimento brinca com o verde do pimentão, o amarelado do bucho do boi e a toalha de mesa estampada. A fotografia define a estética do filme. Em dias nublados ou de sol, o cuidado com a iluminação dá uniformidade ao vídeo. No vídeo, o modo de preparo do prato desperta no espectador a vontade de procurar a banquinha de comida mais próxima. O passo a passo da receita funciona como uma faixa bônus.

Arte de saborear – “Não tem coisa melhor pra curar uma ressaca”, confessa um cliente. O cozido com os miúdos de boi recebe o acompanhamento de arroz. Farinha, pimenta e limão são opcionais. O gosto pelo ofício se manifesta no sabor da comida. Ao revelar as dificuldades destas paneleiras, não há um apelo para a precariedade do local de trabalho e as condições de vida. A imagem exalta o suor da lida, afastando o dissabor do dia a dia. “Gosto de fazer, vender e trabalhar”, enfatiza Maria da Paz.

O documentário possibilita a compreensão de um tema relevante para cidade. Segundo o historiador Adalberto Franklin, esta comida é uma tradição da cultura sertaneja. Ele explica que para o mercado informal, a venda de panelada ocupa uma cadeia produtiva com mais de duas mil pessoas. “Panelada é orgulho da cidade. Comida típica, cultural e de bom gosto”, reforça.

Na fronteira entre o real e o ficcional, o vídeo mergulha no imaginário coletivo explicando o contexto de Imperatriz. A Feira do Mercadinho e o setor das Quatro Bocas servem como pano de fundo. A escolha dos cenários e o deslocamento entre um ponto e outro sugerem a ideia de aproximação entre quem faz, quem vende, quem vê e quem tem preconceito com a panelada. A utilização da trilha musical também se dá de forma muito significativa. Na abertura, “Chora alma minha”, sucesso do Stênio, o cantor que arrasta multidões. Por fim, a alegria dos carnavais na marchinha “Panelada”, ao som de Zeca Tocantins. O filme “De costas pra rua” estabelece uma interação entre os espaços, ações e histórias.