Do portal Do Minuto
No último final de semana, três imperatrizenses participaram da primeira edição da Python Nordeste, conferência que aconteceu nos dias 24 e 25 de maio, em Fortaleza, CE, e reuniu a comunidade de desenvolvedores de TI (tecnologia da informação) que trabalham com a plataforma python nos estados do nordeste e em outras regiões do País.
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O trio do PUG-MA pretende trazer para o Devitz de 2014 alguns dos palestrantes presentes no evento de Fortaleza
(REPRODUÇÃO/PYTHON NORDESTE) |
Herson Leite, Helton Alves e Rael Max são os programadores que representaram o Maranhão, ou o PUG-MA, como explica Rael. “Nossa “comunidade” (grupo de pessoas que usam a mesma tecnologia) se organiza em “PUGs”, que é a sigla para Python User Group (grupo de usuários python). Nós, como criadores do PUG-MA, estivemos presentes representando o nosso estado”.
Sobre a participação no evento, Helton Alves comenta que o PUG-MA não deixou a nada a desejar. “Nós representamos bem o Maranhão e mostramos que existem profissionais capazes no estado”.
O trio, que participou do evento dando palestras-relâmpago sobre as ferramentas que desenvolvem nas empresas em que trabalham, criou o PUG-MA com o intuito de reunir os desenvolvedores da região e expandir o uso da linguagem através do suporte e incentivo que é dado a quem está iniciando.
Há cerca de dois meses atrás, organizaram o primeiro encontro de desenvolvedores de Imperatriz, o Devitz. O evento aconteceu no dia 06 de abril e reuniu a comunidade de programadores de diferentes linguagens da cidade e entusiastas de tecnologia. “O foco eram os profissionais da área e os estudantes dos cursos de tecnologia, mas teve vários empresários buscando gente para trabalhar e pessoas não ligadas a tecnologia que foram dar uma olhada para ver do que se tratava”, comenta Rael. Para Herson Leite, o Devitz contribuiu para melhorar o networking entre os participantes. “O evento teve um ótimo feedback. Foi o primeiro do segmento no estado e reuniu mais de 150 pessoas”.
Python
“Quando a gente desenvolve algum tipo de software, precisamos nos comunicar com o computador através de alguma linguagem. Existem várias e python é uma delas”. É assim que Rael Max explica a função básica da plataforma com a qual trabalha.
A linguagem de programação usada pelo PUG-MA foi criada na Europa, em 1991, e possui um modelo de desenvolvimento comunitário, de código aberto, que é gerenciado pela organização sem fins lucrativos Python Software Foundation. Atualmente é a oitava mais usada no mercado e adotada por pouco mais de 4% dos desenvolvedores de todo o mundo, de acordo com relatórios divulgados em maio último pela empresa Tiobe Software, especializada em monitoramento e avaliação de qualidade de softwares.
Segundo Rael, em Imperatriz o número de profissionais que trabalham com a linguagem não chega a dez. Mesmo com um número de adeptos ainda tímido se comparado ao das demais linguagens, ele explica o porquê de ter escolhido o python. “É uma linguagem que está em expansão em todo o mundo, é amplamente aceita no mercado e de fácil aprendizado. Com poucas linhas de código eu consigo realizar tudo o que levaria bem mais tempo usando outra linguagem, como Java, por exemplo”. E complementa: “Trabalhar com python me permite desenvolver mais em menos tempo e com qualidade igual ou superior a que teria se eu tivesse adotado outra solução”.
Para Herson Leite, não se trata de uma escolha, mas de uma paixão a primeira vista. “Com python tudo se torna mais divertido e simples de fazer. A área de programação deixa de ser uma obrigação e se torna uma grande e prazerosa diversão”, comenta entusiasmado.
De acordo com os criadores do PUG-MA, Google, Globo.com, Nasa, DropBox, Facebook e Governo Federal são algumas das empresas que atualmente adotam o python como linguagem de programação em seus projetos.
Mercado de tecnologia na região
O mercado de TI movimentou no Brasil, em 2012, cerca de 123 bilhões de dólares. Isso coloca o País em quinto lugar no ranking mundial de TI em termos de faturamento. Os dados são da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). No entanto, o mesmo estudo revela que a maior concentração desse mercado se dá em apenas oito estados brasileiros, sendo Bahia e Pernambuco os únicos mais representativos do nordeste.
Diante do pequeno mercado existente no Maranhão e região, a alternativa encontrada por muitos profissionais ainda acaba sendo a “exportação” de seus trabalhos para outros estados e até mesmo para fora do país. “Atualmente existe muita oportunidade de trabalho remoto. Eu escolhi trabalhar remotamente por conta da desvalorização local e pela oportunidade de trabalhar pra uma empresa do exterior, com projetos de grande porte”, explica Herson Leite, que trabalha em sistema home office para a empresa austríaca Luzeo e é co-fundador de um website que fornece ferramentas para investidores que estão em buscas de projetos para aplicar fundos.
Para ele, o mercado na região ainda é muito pouco valorizado. “Nós temos excelentes profissionais locais, mas ainda existe uma cultura de contratar sistemas e desenvolvedores do sul e sudeste do Brasil, que às vezes custa mais caro e é de qualidade igual ou inferior”, explica.
Helton Alves, que além de programador também é analista de sistemas e trabalha com desenvolvimento de websites, atualmente presta serviço para três diferentes empresas da cidade. “Apesar da demanda de trabalho ser grande, ainda não existe a valorização do profissional de TI em Imperatriz”, enfatiza.
Para Rael Max, que também trabalha em sistema home office desenvolvendo ferramentas e soluções para o mercado editorial na empresa paulista Yacows – e que tem, dentre os clientes, as Revistas Caras e Rolling Stone Brasil e as rádios Jovem Pan AM e FM – em Imperatriz não existe ainda uma cultura em torno da tecnologia. “Estamos tentando criar essa cultura, promovendo encontros com o objetivo de aumentar a interação entre as pessoas que trabalham com tecnologia na região. A ideia é de que, com o tempo, a gente tenha um mercado mais sólido”, comenta.
Fazer parte da vanguarda que está implantando na região o uso de uma tecnologia que a cada dia cresce mais, representa para Rael estar um passo à frente da maioria dos demais profissionais da área e contribuir diretamente para o fortalecimento do mercado. “Python tem todo um ecossistema próprio que vai bem além da linguagem. Se formos avaliar bem, a gente não tem nem mercado com que se preocupar aqui na região ainda. A gente está tendo a oportunidade de ajudar a criá-lo”, finaliza.
Com reportagem de Fernando Ralfer